Rumo a Brasília: franco-rochense integrará equipe do Ministério do Esporte

Na década de 1970, a rua 25 de agosto no bairro Jardim Benintendi ganhava uma ilustre moradora, com três dias de vida, que futuramente mudaria o cenário esportivo de Franco da Rocha. Filha do Capitão da Polícia Militar, Laércio Ciampone, e da musicista, Cecília Viola, Silmara Ciampone chegava ainda recém-nascida às terras da conhecida cidade do Juquery.

O pai, amante do esporte e trabalhos sociais, viu o basquete como alternativa para bater de frente com a timidez da filha quando ela ainda tinha cinco anos. A partir de então, Silmara fez do esporte o seu quarto irmão, o que mudaria sua vida daí pra frente. Na modalidade, foi aluna federada e treinadora, se destacando pela oratória diferenciada na hora de comandar sua equipe.

Com o afeto pelo esporte consolidado, Silmara escolheu Educação Física para se graduar em 1999. A paixão por livros, com influência do pai, a fez colocar o ensino no topo das prioridades que renderam mais duas pós-graduações concluídas no início do ano 2000, sendo elas, Fisiologia do Exercício e Treinamento. Já em 2007, foi a vez de vestir a beca na conclusão do mestrado.

A competência de Silmara era notável e seu discurso de responsabilidade social com aqueles que não tinham as mesmas oportunidades rendeu o convite para cuidar do esporte de Franco da Rocha em 2013, como secretária municipal da pasta.

“Entrei com o pensamento de mudar tudo, para que o amor pelo esporte fizesse parte da vida do franco-rochense. E nesse processo, eu tive que aprender a ouvir para me humanizar e sentir o que o munícipe sentia. Fazer o bem até mesmo para quem pensava diferente de mim. Isso é mudar a vida das pessoas”, detalha Silmara.

O peso de uma sociedade machista levantou diversos questionamentos sobre uma mulher à frente do esporte e Silmara respondeu com um trabalho de dez anos marcados por diversas conquistas fundamentais para o desenvolvimento do esporte franco-rochense.

“As mulheres foram e ainda são muito subestimadas em vários âmbitos. Nós não queremos ser maiores que ninguém, queremos apenas igualdade. A nossa luta é para ter as mesmas condições de trabalho. E quando tive essa condição mostrei por mim e todas as outras mulheres que somos capazes de qualquer coisa”, disse.

O Convite para o Ministério do Esporte

Durante uma década como secretária de Esporte, Silmara não deixou de dar continuidade à vida acadêmica. Em 2016 concluiu o doutorado e em seguida ingressou na faculdade de Direto, se tornando advogada em 2022. Com a chegada de 2023, novas metas já eram traçadas no planejamento do esporte franco-rochense.

E foi durante uma visita técnica para manutenção de quadras poliesportivas pela cidade, que o telefone tocou com a proposta para assumir a Coordenação Geral de Alto Desempenho e Promoção de Eventos, no Ministério do Esporte em Brasília. Segundo ela, o momento ficou marcado como o ápice de seus 45 anos respirando o esporte.

“Eu chego lá não só pelo meu sonho, mas também como uma representante das mulheres franco-rochense que têm uma força única. Trago uma responsabilidade enorme de fazer o que sempre fiz, mas dessa vez em um ambiente diferente e tão representativo. Vou tranquila e madura para fazer pelo Brasil, o que fiz por Franco da Rocha”, disse emocionada.

Com a saída de Silmara, a Secretaria Municipal de Esportes será conduzida interinamente por Ireide Santos, sua companheira e adjunta na pasta durante anos. “Eu passo a bola para um exemplo de mulher e profissional. Ireide veio da periferia e luta todos os dias para trazer o melhor para a população. É um orgulho ter ela aqui, uma mulher formada pelo nosso CSU e que conhece nossas raízes”.

Na última quarta-feira (15), Silmara viajou rumo a Brasília e fez questão de deixar a última mensagem para impulsionar os franco-rochenses na busca pelos seus sonhos, principalmente, mulheres e meninas.

“Humildade e generosidade com o próximo é a chave. Quando nós fazemos nosso trabalho com compromisso de melhorar a vida das pessoas, as portas se abrem naturalmente, a vida é assim. E nós que fomos criados em Franco da Rocha já temos uma sensibilidade social desde berço, o que nos ajuda muito. Sigam acreditando!”

Texto: Jorge Henrique Ramos – Foto: Orlando Junior


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